sábado, 1 de maio de 2010

O peso e o leve do cordão umbilical

O que podemos falar sobre a experiência da maternidade?

Para alguns ser mãe é dom divino que não pode ser negado. E se alguma mulher não quiser a maternidade? Ainda é dificil para muitos entender que uma mulher pode escolher ser mãe ou não. Nesse sentido muitas vezes gerar um filho se torna uma pesada imposição social. Em contrapartida, podemos lembrar daquelas que possuem o desejo de serem mães mas não podem gerar uma criança em seu próprio ventre. E isso muitas vezes é um doloroso peso diante da maternidade. Em outros casos acontece de se amar como filho aquele que não saiu do seu ventre, o que para mim é extraordinariamente leve.

Nas transformações do corpo da mulher carregar um bêbe em seu ventre é trazer um outro corpo ligado ao seu. Um outro centro, um outro peso. Mas por mais dificil e pesado que seja, para muitas esse é um momento especial e único, e gerar uma vida toma uma conotação quase mágica.

Além do mais, ser mãe e ser filha(o) se dá em um percurso cheio de pesos e levezas. As vezes com leves afetos, ternuras, graças... Outras vezes com pesados apegos, conflitos, disputas... Envolvidos por essas e outras questões e pensamentos fomos construindo a cena De leves e Pesos.

Utilizando inicialmente laboratórios de contato/improvisação, experimentamos ações de carregar e deixar ser carregado, de se relacionar pelo centro corporal e se acoplar ao ventre do outro. Com estas experimentações, eu e o Júnior começamos a criar a cena a partir de relações corporais que estabelecem estados de peso e afeto, buscando imagens corporais que se ligam com a maternidade e todos os seus conflitos e desejos.

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