domingo, 13 de junho de 2010

O jeans me prende!

Não gosto de usar calça jeans. Acho-a prática, mas muitíssimo desconfortável. Foi até engraçado a reação de todos quando foi proposta a pesquisa de movimentos com a calça jeans e eu disse que não tinha nenhuma. Parece até que é senso comum se ter uma calça jeans, mas eu não tenho. Pelo menos não agora.
Talvez por essa rejeição à calça jeans eu achei a pesquisa indigesta em um primeiro momento, mas me identifiquei com a sensação de prisão que a cena propõe. Fico realmente como uma grande vontade de alargá-la no meu corpo para me deixar mais à vontade, mais livre.
É incrível como as coisas são ressignificadas. Um símbolo da liberdade feminina se torna uma grande prisão. Calças jeans são feitas com alta tecnologia para deixar o bumbum empinado, e a peça, em sua grande variedade, se tornou objeto de consumo da moda. Enfim, caimos nos padrões.

O Parto


Na primeira experimentação pública que fizemos do Chá do Fígado, Baço e Memória um querido amigo fez uma excelente consideração: o parto não é tranquilo, é doloroso e sofrido. Isso me fez pensar que, apesar do parto ser rodeado por uma aurea de momento mágico, ele é agressivo tanto para a mãe como para a criança.

Procurando sobre o assunto na internet encontrei essa imagem. Não sei de quem é, mas a acho agressiva como um parto.

Mãe Solteira

Cada passo
Cada lágrima somada
Cada ponto do tricô
Seu silêncio de aranha
Vomitando paciência
Prá tecer o seu destino

Cada beijo irresponsável
Cada marca do ciúme
Cada noite de perdão
O futuro na esquina
E a clareza repentina
De estar na solidão

Os vizinhos e parentes
A sociedade atenta
A moral com suas lentes
Com desesperada calma
Sua dor calada e muda
Cada ânsia foi juntando

Preparando a armadilha
Teias, linhas e agulhas
Tudo contra a solidão
Prá poder trazer um filho
Cuja mãe são seus pavores
E o pai sua coragem

Dorme dorme
Meu pecado
Minha culpa
Minha salvação

Mãe (Mãe solteira). Tom Zé e Elton Medeiros