domingo, 23 de maio de 2010

E o que o estômago tem a ver com o amor?

Digo que minhas emoções não são processadas no meu coração simbólico, mas no meu estômago real. É lá que sinto dores quando estou nervosa, com raiva. É lá que fico enjoada quando estou ansiosa. Lá sinto "frio" quando estou com medo ou apaixonada.

Acho que o pulmão tem a ver também. Ele reivindica mais ar quando fico perto de alguém interessante que ainda não conheço direito. Ele fica tranquilo quando estou aconchegada nos braços de alguém que estou amando.

Acho que o coração também tem a ver. E a pele, o fígado, o baço...

E o amor? Ah, o amor...


... tão cheio de conflitos, ilusões, desejos, mitos.

Na cena "mito do amor romântico" fui pra ação sem muita mentalização, apenas com a idéia de ser uma relação entre um homem (júnior), uma mulher (eu) e o amor romântico (rosa vermelha). Me permiti, sem querer, descobrir pela reflexão corporal (e não mental) as histórias de amor gravadas em mim.

O processo se iniciou na busca da rosa, ou do amor. Tentava tomá-la de suas mãos, até que ela se dissolveu e se tornou aquele homem, seus olhos, sua pele. Quando chegamos em um lugar de acolhimento era como se ele cedesse ao meu anseio e se aconchegasse no desejo recíproco, mas logo me escapava. Este anseio se tornou cada vez mais crescente, e o amor... Cansativo. O acolhimento se torna prisão mútua, perde seu sentido de aconchego.

Depois, com as experimentações a partir de uma estrutura pronta, comecei a perceber o quanto tinha ali das relações que tinha vivido e do que achava do amor anteriormente. Era como se meu corpo, sem muita mentalização, contasse por mim e para mim as histórias gravadas nele.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Tempo do meu Corpo fluir

Quando vejo a Viviana ensaiando a cena Tabu fico emocionada. Como me identifico com aquela cena!

O período da minha menstruação é sempre muito sensível pra mim, mas é nestes momentos que vejo como ele é rodeado de tabus e repressões. As emoções são banalizadas com frases "Não se preocupe, ela está de TPM", como se todas as relações e conflitos surgissem e desaparecessem com ela. E as dores devem ser suprimidas e ignoradas, sem respeitar o tempo daquela mulher.

Tenho pensado muito no tempo, e no respeito ao tempo de cada corpo. Será que não estamos desrespeitando o tempo do nosso corpo cotidianamente? E o tempo do outro corpo? E o tempo do corpo de cada mulher?

domingo, 2 de maio de 2010

A música que me ninava

Dorme Letícia, linda da mamãe.
Dorme, dorme, dorme
minha princesinha.

Dorme Letícia,
Dorme, dorme bem.
Dorme Letícia,
que o papai já vem.

Autoria: Marta Antonieta, minha mãe.

sábado, 1 de maio de 2010

Acalanto

Inspirações e expirações: outras de Eric Drookker

mothers of the world

Abortion Rights

Trabalhos do artista visual Erick Drooker.

O peso e o leve do cordão umbilical

O que podemos falar sobre a experiência da maternidade?

Para alguns ser mãe é dom divino que não pode ser negado. E se alguma mulher não quiser a maternidade? Ainda é dificil para muitos entender que uma mulher pode escolher ser mãe ou não. Nesse sentido muitas vezes gerar um filho se torna uma pesada imposição social. Em contrapartida, podemos lembrar daquelas que possuem o desejo de serem mães mas não podem gerar uma criança em seu próprio ventre. E isso muitas vezes é um doloroso peso diante da maternidade. Em outros casos acontece de se amar como filho aquele que não saiu do seu ventre, o que para mim é extraordinariamente leve.

Nas transformações do corpo da mulher carregar um bêbe em seu ventre é trazer um outro corpo ligado ao seu. Um outro centro, um outro peso. Mas por mais dificil e pesado que seja, para muitas esse é um momento especial e único, e gerar uma vida toma uma conotação quase mágica.

Além do mais, ser mãe e ser filha(o) se dá em um percurso cheio de pesos e levezas. As vezes com leves afetos, ternuras, graças... Outras vezes com pesados apegos, conflitos, disputas... Envolvidos por essas e outras questões e pensamentos fomos construindo a cena De leves e Pesos.

Utilizando inicialmente laboratórios de contato/improvisação, experimentamos ações de carregar e deixar ser carregado, de se relacionar pelo centro corporal e se acoplar ao ventre do outro. Com estas experimentações, eu e o Júnior começamos a criar a cena a partir de relações corporais que estabelecem estados de peso e afeto, buscando imagens corporais que se ligam com a maternidade e todos os seus conflitos e desejos.