Após um tempo sem registrar os caminhos neste diário virtual devido à dificuldades com a vida no ciberespaço, vou retoma-ló contando a experiência com uma coreografia que chamamos de Maré.
Esta coreografia começou sendo fruto das aulas do professor convidado Rodrigo Cruz. Uma coreografia desafiadora e, como todo desafio, cheia de possibilidades de aprendizado. Mas como me disse uma querida amiga dançante, todo desafio e aprendizado possuem e se dão nas crises e na instabilidade. E foi assim que me senti, em crise.
Acostumada a trabalhar com movimentos que me eram próprios, ou próximo deles, fui levada a buscar propriedade em uma movimentação que parecia distante do meu corpo. Isso gerou incomodo e até mesmo rejeição. Estava instável.
Começamos a procurar seus sentidos. Dancei na busca de torna-la familiar. Então, em uma aula dirigida pela Luciana Medeiros vivenciamos seus sentidos. Em dois laboratórios, um sobre a tortura e outro sobre a maré, comecei a perceber que a coreografia passava pelo movimento das ondas, sua força que está constantemente ligada a feminilidade. Uma força feminina que é circular como a maré e tantos outros ciclos naturais. Uma força que tentaram e tentam reprimir durante a história. Repressão que tortura seja na violência ou na sutileza romântica.
A partir do momento que comecei a compreende-la (e o compreender se dá no corpo longe de um dualismo cartesiano) me vi dona e pertencente à ela. Vivenciando seus sentidos sai do campo da instabilidade. Aprendi o verbo apropriar.

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